Mostrando postagens com marcador montanhismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador montanhismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de julho de 2022

Perdendo as raízes ou apenas criando outras?

 Estou eu deixando de ser capixaba?

Já faz cerca de 5 anos (...ou seriam 6?!) que faço residência no Estado do Rio Grande do Sul e por mais que eu tenha relutado, já é comum me pegar usando o típico "Báh" com todo tipo de entonação. Graças à cultura local eu aprendi a elaborar um bom assado, me especializei em vinhos e já quase não me lembro de como é o sabor de uma verdadeira moqueca. Pelo menos esse último ainda é o meu prato preferido.

Sim! Eu ainda não perdi as minhas raízes que tanto luto para manter vivendo aqui em um Estado com uma cultura tão forte e um povo apaixonado pelas cores de sua bandeira. Ainda sinto falta de ir a nada até a Ilha do Socó em Camburi, dos pés descalços na areia quente e daquele sol escaldando que me queimava a pele, deixando me da cor de um tomate e descascando feito cobra nos dias seguintes.

O meu DNA jamais me deixará esquecer de onde cresci e quem eu sou. Tenho todo orgulho disso, mas também tenho uma impagável gratidão por tudo que o Rio Grande do Sul me agregou. Olha que já morei em muitos outros lugares e nenhum outro me influenciou tão positivamente quanto aqui.

Entretanto, mesmo cada vez mais embebido no gauches, pelos motivos óbvios eu sei que não sou daqui e isso exacerba uma inexplicável aflição em meu já cansado coração. Essa necessidade louca, de ás vezes, querer prosseguir, partir e quem sabe retornar, jamais poderá ser encarada como ingratidão. E como poderia eu ser ingrato a um lugar que, como disse, tanto me ensinou e um povo que tão bem me acolheu.

Sim, sou um capixaba com muito mais cultura do que antes, desprendido de divisas e fronteiras, com a experiência de poucos, uma maturidade muito melhor do que antes e a serenidade de entender que a vida é uma teia de incertezas que se modela de acordo com as nossas decisões.

Sim, sou grato em estar cada dia mais construindo uma versão cada vez mais cosmopolita de quem eu sou e nos caminhos para onde vou.


Foto: Eu naquela que foi a primeira grande atividade outdoor no RS. Recém chegado ao Estado, ainda ludibriado pela sensação de que seria uma experiência curta e que pouco mudaria a minha forma de viver.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Pico Paraná (1877m). O que você precisa saber antes de ir!!!

O verão nunca é uma boa estação para subir uma montanha. É uma estação chuvosa e com perigo iminente de raios. Entretanto, com a vinda do meu filho, que todo ano vem visitar o paizão dele, essa seria a única data para termos o nosso momento em uma aventura outdoor. A escolha foi uma montanha que há muito tempo eu  queria conhecer: o Pico Paraná (a maior da Região Sul do Brasil).

Aqui no sul chove muito nesse período e o risco de alerta laranja para tempestade comum nessa época ora se torna vermelho com frequência. Acompanhando a previsão do tempo quase que diariamente eis que nos surge uma janela de três dias de sol para o Pico Paraná. Essa montanha é linda, base de treino no Brasil para grandes ascensões. Embora não seja muito alta (1877m) ela é difícil, exige muito esforço físico e paradas pelo caminho para pernoitar.

Ainda estávamos um pouco debilitados devido a uma forte gripe que nos acometeu, mas isso não foi suficiente para nos fazer desistir. Preparamos rapidamente as mochilas de véspera e no outro dia partimos (23/01/22) rumo a Curitiba. 

Como saímos quase as 10h da manhã e pegamos um congestionamento horrível na estrada, chegamos na capital paranaense por volta das 19h. Fizemos a reserva, ainda no caminho, de um hotel e lá pernoitamos na chegada a cidade. Dia seguinte (24/01/22) tomamos café e partimos em direção Fazenda Pico Paraná onde está o local de camping e início da trilha que leva ao cume.

A Fazenda Pico Paraná é uma propriedade particular que dá acesso ao Pico Paraná e montanhas do entorno. É um lugar muito legal, o proprietário é uma pessoa muito simpática e hospitaleira. O preço é muito justo... pagamos R$10,00 por pessoa pelo direito de acampar por 48 horas, com chuveiro elétrico e banheiro. Tem uma cantina que serve pastel e algumas bebidas gelada. Deixarei o contato do responsável e informação de como chegar no final do post.

Chegamos por volta das 10 horas, nos apresentamos, recebemos as orientações, interagimos um pouco com o pessoal do camping e seguimos direto para o Pico Paraná (PP). Legal é que a fazenda possui inúmeros cachorros e eles se revezam escolhendo quem irão acompanhar durante TODA trilha. Sim, o que nos acompanhou (um belo cãozinho de porte médio de cor preta) as vezes sumia na trilha para nos encontrar mais na frente (principalmente nos pontos de parada) e dormiu ao lado da nossa barraca (incrível). Claro que esse serviço de guia tinha um preço que era dividir a nossa comida com ele!!! Nada mais que justo uma vez que ele ia "limpando" o caminho para nós.




Foto 1: um cogumelo gigante pelo caminho... trilha com muitas surpresas. Foto 2: Eu e o meu filho fazendo uma das muitas paradas para descanso. Foto 3: a parte boa da trilha.


A subida começa íngreme e com aspecto de uma trilha normal... logo começam a surgir raízes, pedras, valas, cordas e outras dificuldades extremas que exigem noções de escalada e rapel. A medida que você vai progredindo a dificuldade vai aumentando e o caminho oscila entre descidas e subidas o tempo todo. Quando você pensa que não tem mais como piorar... a coisa piora, e muito.


Subida extenuante mas que as vezes lhe permite o prazer de uma visão magnífica como essa.


Existem dois pontos para descanso que são aqueles em que você precisa fazer a escolha de qual será a sua opção de trilha. Um primeiro ponto em que ou você segue no sentido Itapiroca/PP ou no sentido Caratuva/Taipabuçu/Ferraria. Escolhendo o sentido Itapiroca/PP. Após esse trevo você seguirá por caminhos tortuosos até encontrar outro trevo em que você fará a escolha entre o Pico Paraná ou Itapiroca. Seguindo pelo PP você andará muito, mas muito mesmo, até chegar naquilo que eu considerei o mais difícil de toda a ida: a escalada em dois lances de uma via ferrata. Já estávamos super cansados e ter que subir por essa via, sem segurança, com mochila e barraca nas costas foi o auge do sofrimento. Superando isso você irá encontrar água e logo após o acampamento 1 (A1).



Primeiro ponto de bifurcação. Aqui e mais adiante é preciso escolher o caminho que se pretende seguir de acordo com a montanha desejada.


Já era algo depois das 16 horas e nós já estávamos muito cansados. A ambição de acampar no acampamento 2 (A2) era o que nos motivava mas a questão era que estava ficando tarde e não tínhamos a menor ideia de quanto faltava para alcançarmos o A2. A solução foi acampar na trilha mesmo, entre o A1 e A2.


A velha e forte barraca armada antes da chegada da noite.


A dica é: vá com tempo e acampe no A1, reserve o dia seguinte para descansar e se reabastecer de água na fonte que fica um pouco antes. Somente então siga para o A2, acampe novamente e no dia seguinte dê um "tiro" logo cedo pro cume.

Claro que fizemos tudo errado, pois era a nossa primeira vez lá. Descansamos de um dia pro outro entre o A1 e A2, deixamos a barraca montada e fizemos o ataque ao cume logo de madrugada (amanhece antes das 6h - verão). Nossa água acabou quando enfim começamos a escalar o PP especificamente. Desespero pois em cada parada nosso corpo (principalmente a boca que fica muito seca) implorava por água. A neblina tomava tudo e já não era possível ver muita coisa a nossa frente. Isso aumentava o perigo da atividade uma vez que os lances finais são rochas enormes e com fendas que cabem mais de uma pessoa dentro. É preciso passar esse obstáculo escalando e pulando-as.

Ao final a sensação de dever cumprido foi o que ficou pois a forte neblina não nos deixou ver nada a dois metros a nossa frente. Começamos a retornar, chamamos pelo nosso cão guia (que havia sumido e retornou meio que chorando) e a essa altura o desespero por água já tomava conta da nossa razão. Chegamos ao ponto em que estava a nossa barraca e a desmontamos de qualquer jeito, com pressa por encontrar alguma fonte de água e medo do mal tempo (a previsão de tempo para aquele dia era incerta e apontava chuva ocasional para aquela tarde).








As melhores fotos que conseguimos tirar no Pico Paraná. Fora isso tudo encoberto por nuvens que não lhe permitia ver além de 2 ou 3 metros a sua frente. Definitivamente o verão não é a melhor e mais segura temporada para se ir ao PP.


Rapidamente encontramos o A1 e a tão procurada fonte de água que fica logo depois dele. Bebemos muita água gelada (sim, ela chega gelada) e enchemos os nossos litros. Mais tranquilos fomos progredindo e exausto precisei parar para tirar um cochilo de 20 minutos. Acordei energizado e seguimos... quanto mais perto mais distante parecia que estávamos. Andávamos, escalávamos rocha, raízes, passávamos por fendas e nada de chegar. 

Esse final foi sofrido e quando alcançamos o carro, já no camping, nos atiramos na grama, tiramos os sapatos, meias e agradecemos pela volta. Depois fomos na cabana da fazenda para nos deliciarmos com coca-cola gelada e pastel (um verdadeiro luxo). Montamos barraca no camping, tiramos o sono dos justos e retornamos cedo no outro dia para PoA.





Chegada sofrida (principalmente para os nossos pés) mas recompensadora. Ao final até o nosso cão guia estava muito cansado.


Parecer final sobre essa aventura:

É uma experiência única e incrível. A montanha, embora pequena, entra no hall das montanhas mais difíceis que já fiz. 

Faça com calma, tempo, curtindo todo os momentos. Se não tem experiência em pernoitar em montanha, não a faça sem a cia de alguém já experiente e de preferência que conheça essa montanha.

No mais é isso amigos. Espero que essa descrição tenha sido válida. Abraço e até mais.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

HUAYNA POTOSI (6088m) - Dicas valiosas e a minha experiência nessa montanha.

Olá amigos do blog. 

O post de hoje é voltado para você que está pensando em escalar a montanha Huayna Potosi, famosa e muito popular por ser conhecida como “os 6000 metros mais fácil de todos”. Entretanto, já vou adiantando que de fácil ela não tem nada e é uma grande inverdade que o seu cume é conquistado apenas em uma trilha simples, que dispensa conhecimento técnico.

Na verdade há um trecho técnico, que se encontra no meio da via, em que você precisa escalar uma parede de gelo íngreme de ~30m por cima de uma grande e sinistra fenda. Esse trecho é chamado de Pala Chica.




Treino de escalada em gelo no glaciar próximo ao acampamento base de Passo Zongo (4700m). Etapa fundamental para poder superar Pala Chica.

Mas há ainda dois trechos bem complicados: um no início e outro no final.

No início você tem que passar por uma parede de rocha com gelo pontual. Esse trecho é bem exposto e uma queda ali pode ser fatal (quando inexperiente, comum escorregar na passada mesmo com bota dupla). O detalhe principal é que não há nenhum tipo de segurança nessa etapa e a dica é fazê-lo já com crampons (o que permite você fugir das rochas e buscar maior estabilidade no gelo).

Já o final ou Pala Grande, embora não tão técnico quanto o Pala Chica é de longe o mais difícil. A essa altura você já está morto de cansado, sem ar e com fome (frio não, pois o sol já deve estar nascendo a essa altura) e já bem perto do cume. A dificuldade é subir um pedaço muito íngreme da montanha por uma trilha muito estreita e pouco definida. Nessa parte é comum ter que abrir caminho por penitentes de gelo e se desequilibrar.

O cume do Huayna Potosi é algo surreal. É estreito (não cabe muitas pessoas por lá, o que deve gerar uma fila de espera nas imediações nos dias e horários de grande fluxo) e em formato de um trono de gelo. A sensação de conquistá-lo é algo inesquecível, indescritível e certamente viciante.


Cume do Huayna Potosi: Após longo descanso consegui abrir os olhos para a foto.

O que a faz ter essa fama de montanha fácil entre os montanhistas é o fato de ser pouco técnica e possuir algumas facilidades. Talvez a principal dessas "facilidades" seja os dois acampamentos fixos que possui (acampamento base a 4700m e o acampamento alto a 5200m). Esses oferecem toda estrutura como cama, cozinha, água, luz, banheiro e assim facilitam toda a logística e o principal: economizam peso na sua mochila.


No acampamento base (4700m) com as cholitas que cuidavam de nós.

Para alcançar o cume é indispensável uma boa aclimatação e uma ótima agência/guia. 

Quanto a aclimatação, o ideal é de 9 a 12 dias se você for de avião (partindo do nível do mar) direto para os 3600m de La Paz. Eu cheguei dia 6 de agosto em La Paz e com 4 dias fui tentar a sorte no Pico Austria (5350m) e Pequeño Alpamayo (5370m). Nesses 4 dias que antecederam a primeira incursão eu sofri com o “soroche” ou mal de altitude ainda no primeiro dia (tontura, dor de cabeça e lentidão nos movimentos), resolvendo esse problema com CEFALIV® de 8/8h, para nos três dias seguintes sofrer com a diarréia do viajante (esse problema só consegui resolver com 2 comprimidos de IMOSEC em dose única, mesmo seguindo todo o protocolo de reidratação oral desde o início). Entretanto, o pior mesmo foi a perda da apetite que praticamente me obrigava a comer forçado. Somente após o nono dia é que comecei a sentir alguma fome e realmente me sentir bem.

Fui muito fraco para a primeira etapa (pela diarréia dos dias anteriores e pela falta de apetite) e consegui completar o Pico Austria com muito esforço, ficando exausto para atacar o Pequeño Alpamayo na madrugada do dia seguinte. Com pouco tempo para descansar partimos rumo ao cume do Pequeño Alpamayo. O guia estava com uma pressa terrível nesse dia e não demonstrava nenhuma estímulo em me levar ao cume. Desisti, quase chegando ao cume do Tarija (5240m), ao descobrir que a minha água havia congelado na mangueira da mochila e o guia não carregava água alguma com ele (seis horas de caminhada e escalada sem água não dá né amigo).





Conquista do cume do Pico Austria (5350m). Uma ótima forma de aclimatação. Recomendo um dia de descanso após para somente então tentar uma outra montanha.

Então a outra dica é não economize na hora de escolher a agência e principalmente o guia. Peça a descrição do trajeto, com etapas, estude cada trecho (escalar às cegas é sempre mais complicado), deixe bem claro que o guia que for contigo terá que ter muita paciência. Para os nativos a altitude não é problema, mas pra você certamente será... deixe isso bem claro. Avaliar o atendimento e testar/analisar a agência antes de abrir a carteira é fundamental nesse processo. Saiba negociar com coerência, pesquise bastante sobre a agência nas avaliações da net (Facebook, Tripadvisor...) e fuja de agências que possuem vários nomes (trocam de nomes quando mal avaliados).

Voltei chateado para La Paz tanto com o guia como com a agência e também comigo. Estava até pensando em desistir do Huayna Potosi: o único e grande motivo da minha ida a La Paz. Ficou um sentimento de que haviam me empurrado algumas montanhas com a desculpa de me aclimatar mas na verdade não se importavam nem um pouco em conseguir me levar até o cume (parecia que quanto antes eu desistisse... melhor pra eles). No entanto, fui entender mais tarde que esse insucesso do Pequeño Alpamayo é que me levaria a ter êxito no cume do Huayna Potosi. Sabia que esse meu desanimo não duraria muito e me sentindo melhor fisicamente, com energias, iria voltar a pensar nesse meu grande desafio.

Com 9 dias comecei a sentir fome novamente, mesmo que ainda de forma discreta. Já não sentia tanto cansaço e nem tão pouco tontura ou dor de cabeça (meu corpo estava se adaptando a altitude). 

Logo comecei a pesquisar outras agências e encontrei uma que me fez acreditar que seria possível: a South America Climbing. Um ótimo atendimento no pré-venda, promessa de um dos seus melhores guias credenciados pela UIAGM... me pareceu que queriam o cume tanto quanto eu. Vi então que o meu sonho, a razão de toda essa viagem, era possível SIM.

Partimos rumo a Huayna Potosi dia 20 e atacamos o cume dia 22/08/2021. Foi “despacito” ou devagar em bom português, que conquistei o tão sonhado objetivo. A calma e perseverança foram o combustível para o sucesso dessa tão difícil empreitada.


Com o meu objeto de desejo ao fundo e muitas incertezas na cabeça.

Muitas vezes me peguei dormindo andando na escuridão daquela madrugada (saímos a 1:00am). Foram inúmeras, constantes e breves as pausas que fazíamos pelo caminho. Me faltava ar, energia, mas me sentia confortável e tranquilo. Entretanto, a tranquilidade me abandonava sempre que precisava fazer algum esforço diferente daquele de um passo após o outro. Foram muitas as vezes que a minha pior versão me dominou fazendo-me pensar em desistir... até mesmo quando tinha o cume ao alcance dos olhos. 

Faltando somente 20 minutos para ser conquistado, já não aguentava mais, a minha bateria estava em 5%. Aquele pensamento persistente em desistir insistia em me convencer... mas não conseguiu. Fui meio que me arrastando e passando cada último obstáculo em uma lentidão mórbida... mas me superei! Agradeço muito ao meu guia Andres Choque  e a toda equipe da South America Climbing.

Essa foto tirei logo que cheguei no cume. O guia pediu para eu sentar (o cume tem formato de um trono de gelo) que ele tiraria algumas fotos... dormi de tão exausto que estava (reparem os olhos fechados que não conseguiam abrir).




Soy cumbrero!!!

Agora é começar a pensar nos próximos passos e quem sabe também tentar voltar ao cume do Huayna Potosi novamente... pois agora tenho um carinho especial por ela (meu primeiro 6000m).

A Bolívia é um país seguro, barato e com uma boa estrutura de montanha. Não tive problema com imigração ou qualquer departamento do país. Fui muito bem recebido e acolhido. Certamente esse será um dos meus locais preferidos para a prática em alta montanha.

Quanto a atingir o cume de uma alta montanha sempre irei me lembrar da frase que o meu guia nessa aventura me disse:

“Há pessoas que nunca subiram uma montanha na vida e conseguem o cume do Huayna enquanto montanhistas profissionais já tentaram e não conseguiram. Não há lógica nisso.”

Sendo assim, até a próxima aventura!!! 


Imagem com as rotas do Huayna Potosi (6088m). Do acampamento base até o acampamento alto é uma caminhada simples, exigindo apenas condicionamento físico e aclimatação. A partir do acampamento alto você encontrará 3 etapas de maior dificuldade, exigindo maior atenção. 

_________________________________________

INSTAGRAM:

@erichamoraes

@amigodamontanha

YOUTUBE:

https://www.youtube.com/channel/UCFuBRWDIPNmM-a9HuNN0xXw

FACEBOOK:

https://www.facebook.com/Amigo-da-Montanha-1618446285115889

domingo, 7 de outubro de 2018

Red Rock Canyon State Park por Renatinha Pedrita

O paraíso existe e é na Califórnia!

A Califórnia é conhecida pelas suas praias maravilhosas e muita riqueza. Tenho sorte de morar na capital mundial do cinema.  E como uma boa aventureira, não consigo ficar parada no mesmo lugar por muito tempo e descobri esse paraíso por acaso. Meu destino era a Sierra Nevada, precisamente Mammoth Lakes e Yosemite National Park, pela entrada leste, a Tioga Pass. E no meio do deserto encontrei esse lugar mágico e tive que parar! Esse lugar se chama Red Rock Canyon State Park, na cidade de Cantil.

Essa área de formação rochosa única e exuberante, possui trilhas para todos os tipos de aventureiros. O terreno é arenoso e no verão as temperaturas ultrapassam os 45°C na sombra. Então a melhor época para explorar essa área é durante as temperaturas mais amenas! Já fui no parque diversas vezes durante o ano todo e para mim, o inverno é a melhor época (apesar dos ventos fortes e tempestades de areia). Para chegar no parque utilizei a Freeway 14 que cruza o parque. Apesar do parque estar na área da Eastern Sierras, no inverno não neva, mas a noite é muito frio.( temperaturas chegam a um dígito fácil). O parque oferece uma infinidade de trilhas para todos os níveis, estacionamento e banheiros sem teto (apenas no estacionamento). Isso, os banheiros não possuem teto. Na maioria dos parques na Costa Oeste americana, os banheiros são químicos, portanto o cheiro não é muito agradável. Eu particularmente adorei essa invenção.

O parque também oferece uma área para camping. Eu não cheguei a acampar mas fiz “car camping” (dormir dentro do carro) e o visual é maravilhoso. Nas noites de verão é até possível visualizar a via láctea (milk way). O que não posso deixar de ressaltar é a presença da cobra cascavel nessas áreas. Elas tem o hábito de sair de seus esconderijos para aquecer a pele fria durante as horas mais quentes do dia. Eu vi 3 em uma trilha. Preste muita atenção onde você irá sentar ou colocar a sua mão. Elas estão em todas as partes!

Eu sempre vou preparada para o deserto e nesse caso não seria diferente. O parque está a horas de um posto de gasolina ou loja de conveniência. Dentro do parque não existe qualquer tipo de lojinha para venda de suplementos essenciais. Eu sempre levo pelo menos 2 litros de água por dia quando vou ao deserto. Parece mentira mas o derrame devido ao calor ( heat stroke) é comum nessa área. Então beba muita água, leve chapéu e muito protetor solar.

Descobri a pouco tempo que o parque é famoso por ter sido utilizado para gravações de filmes e seriados de Hollywood, tais como; Westworld, Savage, Jurassic Park, a Múmia e vários vídeos musicais. Legal né?

Uma dica que sempre dou é, quando  chegar em qualquer destino de aventura, procure a estação do guarda do parque e pegue um mapa. Eu senti muita dificuldade de seguir as trilhas devido ao terreno arenoso ( algumas trilhas desaparecem durante as tempestades de areia ) e não existe muita sinalização nas trilhas. Os mapas me ajudaram a encontrar os melhores caminhos e a não me perder. 

O visual é deslumbrante e o parque não é muito frequentado, devido às condições climáticas. Se você tiver sorte terá esse parque todo apenas para você!

Prepare seu espírito aventureiro e explore esse lugar mágico! Você pode me agradecer depois!






Renata reside e trabalha nos EUA por mais de 10 anos e dedica o seu tempo livre para realizar trilhas junto a natureza local. Divulga as suas aventuras em seu instagram @renatinha_pedrita, que possui mais de 27000 seguidores de todo o mundo.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Minhas férias em El Chaltén (julho de 2018) - Parte 1

Dentre todos os lugares do mundo, nunca vi uma paisagem mais bonita do que aquela que tem a montanha Fitz Roy, na patagônia argentina. A primeira vez que vi uma foto dessa montanha pensei comigo que não existe no mundo lugar mais bonito. Empolgação ou exagero posto de lado, o fato é que as paisagens desse lugar são de extrema beleza e isso é unanimidade.

Atualmente moro próximo da Argentina e um voo para a sua capital Bueno Aires, partindo da minha cidade, é mais barato do que para muitas cidades do Brasil. Aproveitando essa facilidade comecei a programar a minha ida para  El Chaltén, cidade que está aos pés dessa montanha incrível chamada Fitz Roy.

Antes dessa aventura programei passar uma semana na minha cidade natal Vitória, no Estado do Espírito Santo. Precisa matar a saudade do meu filho e meus cachorros que lá vivem (ver vídeo abaixo). Depois de curtir Vitória, (Vix), voltaria para Porto Alegre (PoA) e de lá voaria para El Chaltén. Logo, iria sair de um calor de 33°C de Vix para cair nos 0°C (cheguei experimentar sensação térmica de -11°C) de El Chaltén, tendo apenas um período intermediário de 3 dias para uma possível "aclimatação" em PoA (fazia 6°C nesse inverno aqui na capital gaúcha).



Eu matando a saudade da cidade em que cresci e me criei, antes de me aventurar nas trilhas de El Chaltén. Em Vix cheguei a pegar 33°C de calor intenso antes de ir  para o inverno da Patagônia.


As passagens comprei pela Decolar, optando pelas Aerolíneas Argentinas, que ficaram muito mais baratas do que pela brasileira GOL (economia de R$1000,00). A passagem era para El Calafate (ECa), passando por Buenos Aires. De ECa tomaria um ônibus para El Chaltén, uma vez que a pequenina cidade não possui aeroporto. O meu retorno seria dia 1, chegando em Porto Alegre no dia 2 de agosto. A reserva foi via Booking.com e programei um hostel em El Calafate para pernoitar na minha  chegada e outro em El Chaltén para 9 dias (do dia 23 ao 31). O primeiro hostel era o Bla Guesthouse e o segundo o Lo de Trivi. Em ambos os casos considerei o preço (média de 8 a 10 dólares a pernoite pois inverno é baixa temporada)  e as avaliações.


Eu sairia de PoA dia 21 as 12:20h e chegaria em Buenos Aires (Bs) as 14:05h e de lá tomaria um outro avião para ECa as 5:15h do outro dia (22/07), com previsão de chegada as 8:30h. O que não me foi informado em nenhum momento, nem pela Decolar, nem pela Aerolíneas, é que chegando em Bs eu deveria trocar de aeroporto (isso não fica explícito na passagem, constando apenas os códigos referentes aos aeroportos que se misturam a diversas outras abreviações), o que só fui descobrir quando fui fazer o check in para embarcar. Embora a Aerolíneas disponibilize translado gratuito entre esses aeroportos, que ficam bastante distantes um do outro, tive que morrer em 1000 pesos em um táxi para não perder o vôo (em nenhum momento me foi informado sobre o traslado ou mesmo a troca de aeroportos... tenso).




Eu adoro esse jeito descolado dos "hermanos". Todos esperando vôo e muitos com equipamentos de montanha. Tudo sem frescura!!!


Como estava tendo a Copa do Mundo na Rússia, o aeroporto havia essa enorme bandeira e a camisa do Messi com o autógrafo de todos da seleção argentina de futebol.



Em frente ao Hard Rock Cafe de Bs. Claro que não entrei... a minha meta era economizar ao máximo pois sou apenas um assalariado kkk

  

Nesse momento fiquei bastante ressentido com o prejuízo e esse sentimento demorou um pouco a passar (rsss). Pelo menos o taxista foi muito eficiente e me entregou a tempo de embarcar rumo a El Calafate. Ambos os vôos foram super tranquilos, os serviços de bordo são muito superiores ao da GOL e o embarque e vôos sempre pontuais. Destaque ficou para o lanche servido no vôo internacional entre BR e AR da Aerolíneas: dois sanduíches, um delicioso alfajor (a guloseima é uma especialidade dos "hermanos") e a bebida optei por café puro (gosto sem açúcar e sem adoçante) e mais um copo de água sem gelo.



Delicioso lanchinho do vôo internacional da Aerolíneas Argentinas. Parece pouco mas esses sanduíches me fizeram perder a fome e o alfajor é muito bom!!!


Na segunda parte dessa aventura eu conto como foi a minha chegada em El Calafate e partida para El Chaltén. Clica aí logo abaixo e confira:

Minhas férias em El Chaltén (julho de 2018) - Parte 2

~DICA DO POST~

PS - A dica aqui é ficar esperto nos aeroportos. Quando o seu vôo vem do Brasil você irá pousar no Aeroporto de Ezeiza (EZE), então terá que pegar um translado gratuito para o Aeroporto Aeroparque (AEP), que fica no outro lado da cidade. Para ter direito ao translado é preciso ter um voucher em mãos impresso (eles frisam o tempo todo que precisa estar impresso e que eles não imprimem, abriram uma excessão para mim, na volta, devido as circunstâncias rsss). Esse voucher você consegue junto ao site das Aerolíneas, em serviços.

PS2 - Após conseguir o voucher junto ao site da Aerolíneas Argentinas, chegando em Buenos Aires, você irá se dirigir a Tienda León, onde receberá a  passagem para o translado sentido Aeroporto Aeroparque.

CONFIRA ABAIXO O VÍDEO COMPLETO DESSA AVENTURA
vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv


Minhas férias em El Chaltén (julho de 2018) - Parte 2

Cheguei em El Calafate de madrugada um pouco antes das 8:30h, ainda de noite (lá amanhece por volta das 9:30h no inverno). O aeroporto é muito pequeno (como todos da Argentina) e bonito. 



Lanchinho servido no vôo doméstico da Aerolinas Argentina. Diferença para o voo internacional: sairam os sanduíches e entrou um pacote de cereal. O alfajor foi o destaque e o café é muito bom.



Aeroporto pequeno, mas bem rústico e um pouco exótico. A cara do montanhismo...


Ainda bastante abalado com o prejuízo que tomei no táxi (olha eu falando de novo disso kkk) e assustado com os preços que lá encontrei (fui começar a me adaptar ao câmbio só no final da viagem), fui me informar sobre transporte para El Calafate. Aproveitei também para perguntar em um guichê que oferecia translado direto para El Chaltén, o atendente me olhou com cara de esperto e soltou logo $1000 (mil pesos). Posteriormente descobri que há um ótimo serviço de translado que faz El Chaltén para El Calafate e vice-versa, por $600. 

Bem, paguei $260 (ou seria $290) do aeroporto para El Calafate (o aeroporto fica bem distante da cidade) e fiquei abismado de saber que nem El Calafate e nem El Chaltén (nessa última é até compreensível, pois é muito pequena) não existe serviço de transporte público. O meu transporte me deixa na frente do hostel , o Bla Guesthouse e a atendente olhou meio estranho para o motorista... nessa hora fiquei meio desconfiado, achando que algo estava errado, mas fiquei na minha.



Portal de entrada da cidade. Cultura de montanha em todos os detalhes!!!


Estava fazendo um frio terrível nesse dia e quando a van me deixou na frente do meu hostel, adivinhem??!! Tcharãnnnn... ele estava completamente, absolutamente e totalmente fechado. Isso mesmo! Ele estava com todas as portas trancadas, compensado nas janelas e pude conferir (olhando pelas janelas) que todos os colchões estavam fora das camas. Cara, como os caras disponibilizam reserva pelo Booking.com com a opção de pagar antecipado (ainda bem que selecionei para pagar na hora, em dinheiro) e estão fechados? Surreal.

Andando um pouco ao redor me informei que eles fecham no inverno (mas disponibilizam reserva pelos apps né) para reabrirem na alta temporada. Logo a saída era procurar outro hostel ou hotel com quarto vago ou ir logo para El Chaltén e antecipar a reserva.

A decisão foi partir para El Chaltén logo pois, conseguir quarto em cima da hora é muito caro e o meu dinheiro era muito curto. Antes de ir para a rodoviária fui ao supermercado de El Calafate (as coisas lá são mais baratas que El Chaltén), e comprei diversas coisas para complementar a minha alimentação. Entre elas uma caixa de um alfajor muito top que me saiu a bagatela de $50... isso mesmo, só 50 pesos (algo em torno de 10 reais ou até menos). Cara, que arrependimento de não ter comprado umas 10 caixas dele... putz!!!


Pão de queijo na Argentina também "sô uai".




Antes de partir para El Chaltén dei um "rolézinho" pela charmosa El Calafate.


Cheguei na rodoviária de El Calafate e comprei a passagem para El Chaltén por $600 pesos. A atendente tentou me vender a de volta, tudo saindo a $1100 mas optei por comprar apenas a ida. 

O ônibus bem pontual, amplo, comfortável e viagem super tranquila. Na ida ele parou em um paradouro super elegante, com placas indicando a distância das principais cidades do mundo em um mastro com a bandeira argentina (que na patagônia está por toda a parte). Lá comi uma famosa empanada argentina, um alfajor caseiro e para beber tomei leite quente com mate (dois pacotinhos de chá clássico). Tudo muito perfeito...



Parada de ônibus muito top. O "hermano" que lá trabalha não gostou que eu tentei pechinchar o preço rsss





Empanada, alfajor (que alfajor...) e leite quente com chá!!! Cara... tudo de bom.


No próximo post contarei como foi a minha chegada em El Chaltén... te encontro lá ;)


~DICA DO POST~

PS - Existe uma empresa que faz o transporte mais barato do que as outras e muito bom. É possível pegar o ônibus no aeroporto de El Calafate direto para El Chaltén ou pedir para o motorista te deixar no aeroporto saindo de El Chaltén. Link: http://www.chaltentravel.com e-mail: contacto@chaltentravel.com

PS2 - Antes de partir para El Chaltén passe no supermercado de El Calafate. As vezes você encontra surpresas bem agradáveis na forma de boas promoções. Sem falar que o supermercado mais barato de El Chaltén é bem mais caro que o de El Calafate.

PS3 - JAMAIS PAGUE ANTECIPADO RESERVAS PELO BOOKING.COM. VOCÊ CORRE O RISCO DE ENCONTRAR O LOCAL FECHADO E DEPOIS NÃO CONSEGUIR O RESSARCIMENTO DO VALOR.
_____________________________________________________________________





______________________________________________________________________
Reveja como foi a primeira parte dessa aventura:

CONFIRA O VÍDEO COMPLETO DESSA AVENTURA
VVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVV